
Muita gente discute a obrigatoriedade do uso do capacete e defende a liberdade que existe nos Estados Unidos (pelo menos em alguns estados) de o motocilista decidir o quanto deseja se proteger. A discução tem a ver com a liberdade individual e o fato de o motociclista não causar mal a outros ao arriscar-se.
Se alguns acham desagradável ser obrigado a usar o capacete imagine o contrário: ser obrigado a não usar.
Há algum tempo fomos surpreendidos por notícias de abuso de autoridade em algumas cidades do país em que prefeitos ou delegados se acharam no direito de contrariar uma lei federal e proibir o uso do capacete.
A justificativa (estúpida, claro) era a de coibir os assaltos praticados por marginais que identificaram na moto uma alternativa de fuga rápida, além do anonimato que o capacete propicia.
Em vez de investir na segurança pública é mais fácil jogar o problema para os motociclistas e, numa atitude preconceituosa, proibir o uso do capacete (que a lei obriga a usar).
Mas esta semana o absurdo se mostrou ainda maior: em Salvador os traficantes também estão proibindo o uso do capacete nas comunidades que dominam, pois querem controlar quem anda por alí e ter a certeza de que não se trata de algum policial.
E agora, para onde corremos? De um lado policiais proibem o uso do capacete com medo dos bandidos, de outro os bandidos proibem seu uso com medo dos policiais.
Em Salvador o cara tem que escolher: tomar uma multa por não usar ou um tiro por usar.
Resumindo, enquanto os americanos podem até se dar ao luxo de escolher se querem se proteger, aqui o cidadão não é livre nem para usar nem para deixar de usar o capacete.
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AQUI o vídeo com a notícia completa.