sexta-feira, 20 de julho de 2012

Morro mas não largo a bolsa


Já que não foi tão trágico, chega a ser cômico. Os detalhes pitorescos e até engraçados ficam por conta da bolsa, que não cai do ombro de jeito nenhum, e do rodopio que quase joga a senhora debaixo da roda do caminhão. Se não fosse pela segnda câmera eu nunca teria entendido como ela aparece caída entre o caminhão e a moto sem ter se arrebentado.
Apesar dos erros da, digamos, motociclista, nada mais grave ocorreu devido a sorte e a perícia do motorista do caminhão.
Mas vamos ao que interessa. O vídeo retrata um acidente ocorrido na China, onde as motos elétricas se tornam cada vez mais populares.
O que se vê aqui é muito semelhante ao fenômeno que começa a ocorrer no Brasil: a moto sendo usada como meio de locomoção por pessoas sem nenhuma experiência, substituindo o transporte público ou outros meios de transporte populares (bicicleta, cavalo etc).
É preciso sempre lembrar, no entanto, que moto elétrica é moto, cinquentinha é moto, scooter é moto. Capacete e roupa adequada não devem ser dispensados em nenhum dos casos citados. Treinamento não deve ser dispensado em nenhum dos casos citados. Respeito às regras de transito não deve ser dispensado em nenhum dos casos citados.

Hora do Reclame - Vespa

terça-feira, 17 de julho de 2012

Dia de fúria...ou de estupidez?

Não vou falar nada sobre o vídeo que ilustra o post. Só quero lembrar aos amigos motociclistas o quanto a humanidade tem se deteriorado nos seus relacionamentos, o quanto o ser humano tem se embrutecido e idiotizado. Sendo assim, cabe lembrar que precisamos a todo custo evitar qualquer tipo de agressão no trânsito. É difícil, eu sei, mas discutir com idiotas nunca leva a algo de bom. Na Melhor das hipóteses você se rebaixa ao nível deles. Na pior, acontece coisa como a do vídeo. E o outro motociclista afetado nem tinha nada a ver com a história. Se alguém tivesse parado com a discussão um pouco antes, ele estaria tranquilo por aí. Lembre-se: é impossível saber que tipo de idiota esta do outro lado. Melhor deixar para lá.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Motociclismo: Esporte ou transporte?


A dica de hoje não é minha: reproduzo abaixo o texto do James Stuart Hodge. Se você gostar tanto quanto eu, de um click AQUI para ver o livro dele.

100 anos atrás, pouco depois de sua invenção, dirigir um automóvel era um esporte reservado a ricos aventureiros. Os ingleses e alemães do início do século passado, com seus bonés xadrez, óculos de proteção e uma charmosa echarpe no pescoço, percorriam os caminhos de então a bordo de veículos que exigiam considerável conhecimento e habilidade para serem conduzidos com sucesso. Muito mudou nesses cento e tantos anos.
Os automóveis evoluíram, tornando-se muito mais práticos, seguros e simples de dirigir. Os automóveis modernos são quase utensílios domésticos, uma máquina que quase todos têm e sabem operar.
As quatro rodas lhe conferem grande estabilidade estática e dinâmica, e vários aperfeiçoamentos, como motores confiáveis, câmbio automático, freios servo-assistidos eletronicamente controlados, e direção hidráulica, o transformaram num produto extremamente bem sucedido e num dos pilares do desenvolvimento econômico do século 20.
O automóvel, que antes era usado na prática de um esporte, passou a ser usado como meio de transporte. Mesmo o automobilismo esportivo, que ainda sobrevive, tem nos últimos tempos acentuado a tendência no sentido de diminuir a importância dos pilotos em favor da tecnologia empregada – aerodinâmica, eletrônica, monitoramento remoto do desempenho do carro de corrida, etc.
As motocicletas, logo após sua invenção, tiveram uma história parecida. Pilotá-las era um esporte que exigia muito conhecimento e habilidade, e, devido às suas características próprias, talvez demandassem ainda mais perícia, e certamente sujeitavam o piloto a riscos maiores, que os automóveis.
Também as motocicletas evoluíram nesses 100 anos, mas sua evolução foi um pouco diferente da dos automóveis. Tornaram-se, igualmente, mais confiáveis, mais confortáveis, e mais práticas; todavia, continuam exigindo muito conhecimento e habilidade para serem conduzidas com competência, e continuam sujeitando seus pilotos a grandes riscos, sobretudo no trânsito das grandes cidades e em estradas públicas.
O motociclismo continua sendo, até hoje, um esporte – e talvez por isso seja tão apaixonante! Motocicletas são como aviões: se o piloto não souber o que está fazendo, elas acabarão caindo. Sua instabilidade intrínseca (são só duas rodas), e sua grande capacidade de aceleração e frenagem, não impedem que sejam usadas como meio de transporte; mas elas exigem de seus pilotos um nível de conhecimento e habilidade – perícia – que é característico da prática de um esporte. E de um esporte perigoso!
Este fato não é devidamente enfatizado. As motocicletas são anunciadas e compradas como se aprender a pilotá-las fosse muito fácil; e como se fosse possível a seus proprietários adquirir a necessária perícia e experiência nas vias públicas, enfrentando o trânsito de automóveis, caminhões e ônibus.
O processo de habilitação de motociclistas também adota esta premissa. O exame teórico verifica principalmente o conhecimento das leis de trânsito. O exame prático requer do candidato que mantenha a motocicleta equilibrada; que percorra, a baixa velocidade, uma pistinha desenhada no pavimento de um estacionamento ou de qualquer outra área pavimentada e deserta; e que pare e saia novamente com a motocicleta.
Conseguindo passar nestes dois exames, ele receberá sua carteira de habilitação. Terá, então, autorização legal para imediatamente pegar uma estrada e desfrutar do prazer de pilotar uma moto em velocidade. É quase como ensinar alguém a nadar jogando-o numa piscina funda e o abandonando à própria sorte. Ou permitir que alguém aprendendo a pilotar um avião, com apenas instrução teórica sobre o funcionamento dos controles e comandos e com pouca experiência prática, se aventure em seu primeiro voo solo. Só para pegar o jeito... Repito – motociclismo é um esporte! Não se deve pilotar uma motocicleta pensando em suas obrigações do dia, ouvindo rádio, falando no celular ou fazendo qualquer outra coisa que desvie a atenção da atividade de pilotar a moto. Mais cedo ou mais tarde, e quase sempre mais cedo, vai dar besteira!
As motocicletas podem e devem, devido às vantagens que oferecem, ser usadas como meio de transporte. Mas não se aventure a pilotar uma moto nas ruas e estradas, enfrentando o trânsito de outros veículos, se não tiver recebido instrução detalhada sobre seu comportamento dinâmico: o efeito giroscópico das rodas, e sua influência no equilíbrio da moto; o countersteering (contra-esterço), que é a forma mais precisa, rápida e fácil de mudar a direção de uma moto; a grande transferência de peso para roda dianteira durante a desaceleração e frenagem, e como isso desestabiliza a moto; a grande transferência de peso para roda traseira durante a aceleração, e como isso estabiliza a moto; e o papel da roda traseira na mudança de direção da motocicleta.
Só então, depois de ter tomado conhecimento destas informações e técnicas, e de ter treinado o suficiente para desenvolver sua habilidade, você terá a perícia necessária para se considerar um motociclista, e poderá usar sua motocicleta como meio de transporte.

Sem Palavras - DKW