
Falei há poucos dias sobre o problema da pobreza. Hoje vou para o extremo oposto: o problema da riqueza.
No fundo, o problema é o mesmo: despreparo e impunidade. Nas regiões mais pobres alertei para o fato de as pessoas optarem pela moto sem ter qualquer preparo para isso e sem se preocuparem com a fiscalização (inexistente); com os mais ricos, é o grande poder do dinheiro, e não sua falta, que gera as mesmas complicações.
Explico: qualquer mané (me perdõem os Manuéis) pode chegar em uma loja e, sem ter nenhum preparo ou treinamento para isso, adquirir uma moto esportiva que o levará de zero a cem km/h em menos de 3 segundos (pode levar para a cova também).
Se o pobre que andava de bicicleta pode não estar preparado para dirigir uma scooter imagine o garoto de 18 anos que ganha do pai uma autêntica Jaspion-cycle, sem nunca ter passado sequer por um período de aprendizagem em uma menor cilindrada.
A impunidade, que nas regiões pobres e distantes se manifesta pela ausência de fiscalização, para os riquinhos se apresenta na forma do poder do dinheiro, que compra carta, moto, agentes de fiscalização, advogados etc.
Assim como não tenho nenhum preconceito com os pobres, dos quais falei antes, não tenho com os ricos ou como dinheiro; mas a situação que aí está precisa mudar.
Eu sugeriria pelo menos duas ações: a exigência de um período inicial em baixa cilindrada antes de poder dirigir as motos mais potentes (como acontece na Europa) e um curso específico de pilotagem e segurança para motos mais potentes (olha o jabá Tite).
Não resolveria tudo, mas poderia salvar algumas vidas.