quarta-feira, 9 de junho de 2010

Saudades de um Yamahento


Desde criança, quando motos eram apenas uma paixão inatingível, eu sempre fui um Yamahento. Da para ver pela quantidade de "reclames" da Yamaha no blog. Verdade que hoje já não sou xiita por marca alguma (talvez pela Guzzi) mas para um yamahento histórico como eu a linha do melhor "custo X benefício" adotada recentemente pela Yamaha soa bastante estranho.
Não estou querendo fazer propaganda contra nem desmerecer os produtos atuais da marca, mas vou dar minha opinião sobre o assunto.
Se analizarmos os últimos movimentos do mercado veremos que, em quase todas as categorias, a Yamaha está usando o discurso do custo x benefício e tenta enfrentar o domínio do mercado pela Honda com motos de menor cilindrada ou menos tecnologia.
Veja abaixo um gráfico demonstrativo

Ocorre que isto é a negação da tradição da marca no Brasil. Yamaha sempre foi sinônimo de desempenho e modernidade, enquanto Honda significava durabilidade e custo baixo.
A maior diversão de todo yamahento, por sinal, era tentar bater as Honda com motos de menor cilindrada. Desde os embates históricos entre "viúva negra" e "sete galo" este modelo se repete; depois vieram as DT 180 enfrentando as XL 250 e outras disputas menos importantes. Mas sempre Yamaha significa desempenho e modernidade. Não que a Honda não tivesse modelos modernos ou de bom desempenho, mas sua marca era (e é até hoje) a de produzir motos resistentes e econômicas.
A opção de oferecer produtos de menor cilindrada e menos tecnologia (especialmente a Injeção eletrônica) e tentar ganhar mercado no preço pode até dar certo, mas pode ser um tiro no pé.
No último ano a Honda ampliou ainda mais sua fatia de mercado. Segundo dados da revista Motociclismo, na comparação entre abril de 2009 e abril de 2010 a fatia da Honda aumentou de 68% para 77%; já a Yamaha caiu 3 pontos (de 14% para 11%)
Note que a única categoria em que a Yamaha desbancou a Honda foi justamente aquela em que lançou um produto moderno e mais potente do que a Honda: a XVS 950 Midnight Star.
Custo x benefício pode ser bom, mas pode queimar uma imagem construída durante décadas. Além disso, se a Yamaha não conseguir enfrentar a Honda usando suas qualidades tradicionais (desempenho e modernidade) será que vai conseguir vencê-la justamente naquilo que a Honda é tão forte (custo x benefício)?
Bem, eu que já não sou tão Yamahento assim não vou me incomodar muito com isso. Em alguns casos, como a XJ6, acho que a Yamaha nos presenteou com uma ótima opção; em outros acho que está devendo.
Ainda bem que hoje não precisamos mais ficar limitados ao duelo Honda X Yamaha.
Nos últimos tempos, a bem da verdade, tenho me tornado mais Kawasakento do que nunca.

17 comentários:

stemamo disse...

Pode ser Youssef. Mas eu concordo que a Yamaha está vacilando e muito. E se pensar bem, essa moto XJ é uma Fazer piorada e com um visual um pouco mais moderninho. Não me convence. Ainda mais depois de ver de perto e sentir a Suzuki GSX F 650, ontem. Dá pra ver na foto que a Suzuki é mais moto que a XJ. Um visual um pouco mais defasado que a XJ mas muito mais consistente em todos os aspectos. Como vc postou na história da minha família, meu pai sempre foi um yamahento e meu cunhado é tbm um praticamente. Eu não. Nas minhas listas de moto as yamahas são as últimas agora. Ágio, péssimo atendimento, decisões que não pensam no consumidor, como por ex, em menos de 1 ano, colocar e tirar de linha a MT 03 e por aí vai. E na unica categoria que a Yamaha venceu a honda, que foi a midnight, convenhamos, foi só porque a Shadow nova é uma desgraça completa. Hoje, toda as marcas tem mais motos e mais opções boas de compra. abs!

Rodrigo disse...

Não li todo conteúdo ainda. Mas, de cara discordo de que a YAMAHA esteja tentando trabalhar com menor cc prá enfrentar a hOnda usando o discurso do "custo benefício".
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Se se analisar melhor, veremos que a hOnda tem sido campeã em fugir da briga aumentando 10cc aqui 40 ali e por aí vai...
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É isso. Abrç

Youssef disse...

Rodrigo, o discurso do custo x benefício eu não apenas deduzi pela atitude da marca mas está repetido diversas vezes em entrevistas dos representantes da mesma nos sites e revistas atuais.

Paulo Edson disse...

Youssef, sua análise é brilhante. O marketinag da Yamaha está péssimo, não somente no Brasil.

Toda a série X que deveria evocar tecnologia, os lançamentos equivocados das MT-01 e MT-03, além da reedição da V-Max, francamente não dá para entender. Revendas que aceitam Honda como entrada e não aceitam Yamaha. Tem Valentino Rossi e não usa a sua imagem. Precisa de mais?

Mr. Lee Riders disse...

Boa noite Youssef,
Primeiro quero agradecer por vc ser o primeiro seguidor do meu blog sobre a Shadow VT600 VLX.
Quanto à eterna disputa entre Honda e Yamaha tenho a dizer que ambas tiveram e ainda tem suas mazelas mas a rivalidade só contribuiu para o aprimoramento das máquinas. Além da minha Shadow tenho uma Yamaha XT600E 96/97 e apesar de serem estilos completamente diferentes vejo nas duas, excelentes qualidades.
Há alguns atrás tive uma DT 180 e uma XR 200. No chão batido ou saibro a Yamaha dava de 10 a 0 na Honda. Entretanto na estrada a situação era inversa, tanto em velocidade final como em conforto.
Nós amantes do motociclismo fomos brindados com estas duas marcas que fizeram e ainda fazem história.
Uma abraço!

Mr. Lee Riders

Felipe Luiz disse...

Em muitos apectos está equivocado. Não entendeu algumas estratégias da Yamaha e não entendeu como o mercado reagiu quando ela lançou a primeira moto com Injeção Eletrônica no Brasil. Assim como você, acompanho todo mÊs a revista Motociclismo pois é muito completa e utiliza de modernos recursos para medição, inclusive por satélite. Sem falar por estar no grupo internacional Motorpress.
Vamos por partes.
CUB: A Yamaha lançou a Crypton pra concorrer com as chinesas com uma moto de baixo custo e excelente qualidade. O carburador atender as normas de poluição.
Street 125/150: A 125 da Honda também é carburada porém é totalmente pelada, sem marcador de combustível e cavalete central, por exemplo. Ela adotou o mesmo carburador que a Yamaha adotou na YBR sem conta que a YBR Factor dá um show na Honda 125 e 150 em design, modernidade, equilíbrio e custo x benefício.
Street 250/300: A Yamaha lançou com IE antes da Honda. Nem por isso foi uma best seller pois o povo brasileiro não paga por tecnologia mas sim por TRADIÇÃO e por baixa manutenção. Vide indústria automotiva. Por isso temos essas carroças no mercado. Do que adianta a Yamaha lançar ABS, aumentando os custos de produção, pois as vendas com esse opcinal é pífia, se não vai alcançar a liderança assim como fez quando lançou a IE?
Trail 250/300: Mesmo caso da Street. Lander veio com IE, freio a disco traseiro e um design muito mais moderno - exceto pelo painel - que a Tornado e nem por isso foi campeã nas vendas.
Street 600: Discordo. A XJ6 tem tanta tecnologia quanto, porém, para a realidade brasileira e pra por mais uma opção no mercado, a Yamaha lançou esta 600 mais "mansa" e barata com o fim de, futuramente, lançar a, já lançada na Europa, FZ8 dando mais uma opção para o mercado. Hj encontra-se XJ6 por 28 mil enquanto a Hornet por, no mínimo, 32 mil. Muita diferença na hora do parcelmento, só usar uma calculadora financeira HP.
Custon: Sem dúvidas um salto enorme pois a Midnigh Star é muito moderna, deixando a Shadow comendo poeira. Mas, nessa categoria eu vejo o pior erro da Yamaha. Nos deixou sem uma opção mais barata de moto custom. Deveria ter uma 600 ou uma 500 custon pra satisfazer outra parcela de consumidores esquecidos.

Felipe Luiz disse...

Bom, infelizmente o povo brasileiro é muito tracionalista e conservador. Isso faz com que a Honda, que investe no motor 4 tempos há muito tempo, seja líder absoluto no mercado. É comum muita gente, na faixa etária dos 40 e 50 anos, dizer que Yamaha ainda é 2 tempos. Uma lástima. Por isso a Yamaha tem que se consolidar no mercado e isso ainda pode lever mais uns 10 anos pra se reconhecido.
O próprio gerente de marketing da Yamaha falou que não vai lançar modelos como uma street 400cc pois ainda quer se consolidar nas categorias existentes. Pensamento conservador e, pra mim, imbecil!

Youssef disse...

Não estou discutindo a qualidade das motos. Ainda prefiro Yamaha na maior parte das categorias.

O fato é que na adaptação ao Promot3 a Honda aproveitou para investir em suas motos mais do que a Yamaha.

Vejam a disputa XTZ x Bros. A Honda fez mudanças estéticas, melhorou suspensão e quadro, injetou e lançou a Mix.
A Yamaha colocou um carburador estrangulando a XTZ que, pela menor cilindrada, já não tinha muita velocidade e trocou os adesivos.
Não é o caso de discutir qual é a melhor (a XTZ é uma excelente moto) mas o fato é que a Honda investiu mais na Bros do que a Yamaha na XTZ.



O mesmo ocorre na briga das 250. A CB300 representa um upgrade muito maior em relação a Twister do que a Fazer antiga na comparação com a nova.
Antes, a Twister era uma moto defasada comparada à Fazer, hoje a CB oferece recursos (ABS) que a fazer não tem e mexeu mais na estética (nem falo dos 50 cc a mais que são discutíveis).

Na Factor, a Yamaha acertou no estilo, mas não oferece a opção 150cc nem a Injeção, tendo um perda de desempenho para adaptar-se ao promot3 com o carburador estrangulado.
O resultado do avanço de mercado neste último ano é uma decorrência de tudo isso.

Youssef disse...

Se eu estiver errado e a Yamaha certa não entendo porque a participação dela no mercado diminuiu ainda mais neste último ano.

O que espero é ver mais concorrÊncia, mais agressividade das fábricas para não deixar a Honda nadar tão tranquila assim.

Felipe Luiz disse...

A participação de mercado da Honda aumenta porque o povo brasileiro espera pelos seus passos, sempre.
Esperamos mais concorrência sim, é muito importante, principalmente se Kawasaki e Suzuki entrasse na briga pelas pequenas cilindras.

Espero que a Honda comece a fazer produtos realmente interessantes, com todas potência, influência e participação de mercado que ela tem, poderia difundir mais categorias como a carente 400cc e 500cc, assim como outras.
Esse é um dos motivos pela qual não gosto da Honda. Quando tive Honda foi porque o $negócio$ foi mais atraente, pois não sou burro, e, por infelicidade minha, minha próxima moto será Honda, a CBR 450. Ideal pra minha renda e pros fins que desejo.

Anônimo disse...

Minha primeira yamaha foi uma RX80 que comprei em JUN79,uma das primeiras fabricadas,chassis 2H4000082,depois tive outras yamaha como DT180 83 e a raríssima XJ750 SECA 82,mas tenho que admitir que a yamaha sempre errou no Brasil ao insistir nos modelos 2t,mesmo tendo modelos similares 4t lá fora.

Cão Selvagem disse...

Eu entendi Youssef, o fato é q a Honda investe muito no mercado das baixas e médias cilindradas, enquanto a Yamaha foca, assim como a Suzuki e a Kawazaki, nas motos acima de 600cc.

Com um mercado onde são muito poucos os brasileiros q tem poder de adquirir motos acima dos 300cc, a Honda mantem seus investimento nesse segmento, a exemplo da CG que em 30 anos sofreu diversas melhorias até chegar ao q temos hoje, com motor injetado e bi combustível, enquanto a Yamaha manteve seu 2T até pouco tempo, mesmo depois da abertura das importações, a Suzuki pouco alterou seus modelos "básicos" como a Katana, hoje Yes, e a Intruder, que veio primeiro com a 250 e hoje é 125. A Kawa no máximo fez a Ninja 250, o interesse é em motos de média e grande cilindrada.

A exemplos citados, o motor 2T tem mais arrancada, por ser mais "nervoso", mas pelo mesmo motivo perde em rendimento final, além de seu consumo ser maior e mais poluente, outra vez por essas mesmas caracteriticas a fazem melhores par o off-road. As RDs 135 e 350, eram motos ágeis, mas pecando na velocidade final, por seu motor ficar esgoelando para manter a velocidade.

Veja o seguinte, nos EUA, a tradição das Harley Davidson garantem uma fatia muito grande do mercado, a Honda, Yamaha, Suzuki e a Kawa, dividem um mercado menor, menos q das Cagivas e BMWs.

Em minha familia a Honda sempre foi a mais presente, mas hoje vejo a XJ6 como uma opção de compra, por ser mais enconta que a Hornet, infelizmente o que pesa na balança para a Honda está no seu pós venda, são várias concercionarias no Brasil inteiro, a Yamaha não tem tantas. Pelo menos a honda tem duas em minha cidade, a Yamaha só nas cidades vizinhas (uns 80/100 km de distância).

Sadam disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sadam disse...

Youssef, eu concordo em parte com você. Acho que a Yamaha está certa em ter produtos mais simples, baratos e duráveis. Esta é a base do mercado. Mas ela erra ao não trazer produtos modernos como a WR 250 e a Fazer 150 indiana, injetada e com refrigeração líquida.
Tenho dito há tempo que a Kawasaki está com a faca e o queijo na mão e no caminho certo.
Aguarde que muito breve virá a trail KLX 250 com o motor da D-Tracker e a Yamaha vai se danar com a Lander. Além disso, a Versys será nacionalizada e o peço cairá bastante.
O problema é que as fábricas não abrem concessionárias. Quem investe nisto são empresários.
Outro problema é a Kawasaki não conhecer bem ainda nossa cultura.
O mercado precisa de uma moto estilo Intruder 250.
Porque não vender motos e peças originais pela Internet, colocando os componentes no site?
Porque não indicar boas oficinas para fazer as revisões oficiais?
Mas que meu coração está pendendo para a Kawasaki, não tenha dúvida. O Marketing deles é muito eficiente.
Pena a Suzuki estar na mão do J. Toledo.

Silas Reis disse...

PS: jefferson virou um gráfico ?

Youssef disse...

Silas, o blogspot inexplicavelmente trocou as fotos depois de algum tempo. Já corrigi.

Youssef disse...

Sadan, concordo plenamente.